Cartões de visita

Uma das coisas que me deixaram pensativo na futurecom/2011 foi a forma como ainda trocamos cartões de visita. Você conversa com uma pessoa, faz um contato. Recebe um cartão de papel, entrega outro, e guarda no bolso, para mais tarde passar pra uma lista de contatos no computador ou uma (sim, isso ainda existe) pasta de cartões de visita.

Seria bacana poder fazer essa troca apertando um botão no seu iPhone, mas para isso precisaríamos de um aplicativo que padronizasse a troca de cartões e que fosse adotado em larga escala. Este post de blog lista vários candidatos de peso para cumprir essa tarefa (pessoalmente gosto do bump), mas até o final de 2011 não temos um vencedor definido.

O fato é que os cartões de visita vão ficar por aí ainda um bom tempo: são leves, baratos, fáceis de manusear e carregam bem as informações necessárias (e mais algumas meta-informações, como marca d’água, estilo de letra, etc.) . Mas podemos incrementar um pouco mais.

Existe um padrão bem definido para os cartões de visita eletrônicos: o vcard. O vcard é um arquivinho que tem campos como nome, telefone, e-mail, empresa, etc. e normalmente vai anexo no final dos e-mails como assinatura. Alguns clientes de e-mail como o Thunderbird anexam o vcard da pessoa no final da mensagem. O Outlook não faz isso mas é capaz de importar e exportar os vcards para a lista de contatos.

Aliás quase todos os aplicativos listados no post referenciado lá no começo fazem a troca de vcards.  Só que enquanto todo mundo não usar o vcard para cartão de visitas, vamos ter que conviver com cartões de papel e eletrônicos, o que normalmente requer um certo trabalho para converter de um formato para outro. Alguns aplicativos prometem fazer isso pela gente, mas a perfeição ainda deve demorar.

Uma maneira de melhorar a coexistência do papel com o eletrônico poderia ser imprimir o vcard no cartão de visitas. Assim quando você recebesse um cartão de visitas de papel, poderia escaneá-lo com o smartphone e adicionar o dono a sua lista de contatos. Assim mesmo cartão poderia ser usado por quem vai escaneá-lo e depois descartar  reciclar, ou pelos desconectados.

O QRCode é um padrão para código de barras criado para ser fácil de ser lido e entendido por câmeras. Até mesmo a câmera do meu Galaxy 5 com seus míopes 2 MP sem auto-foco é capaz de ler QRcodes razoavelmente bem. Um QRCode é normalmente um quadradinho que se parece com uma foto de televisão preto-e-branco fora do ar, e pode conter uma porrada de texto (até 4 296 caracteres segundo a Wikipedia).

Colocando tudo junto, poderíamos codificar o vcard em um QRCode e imprimir no cartão de visitas. Para criar um vcard, podemos exportar do outlook por exemplo, ou escrever em um editor de texto e salvar com extensão .vcf ou .vcard. Os campos-padrão podem ser encontrados (novamente) na Wikipedia.

O meu ficou assim:

BEGIN:VCARD
VERSION:3.0
N:Queiroz;Ricardo
FN:Ricardo Tavernaro Queiroz
ORG:AsGa Sistemas, LTDA.
TITLE:Analista de sistemas, Sr.
TEL;TYPE=WORK,VOICE:+551931314003
EMAIL;TYPE=PREF,INTERNET:ricardo.queiroz@asgasistemas.com.br
URL:http://www.asga.com.br/sistemas.html
REV:20110918T100300Z
END:VCARD

O site http://goqr.me/ é um bom lugar para começar a mexer com qr codes. O cartão acima convertido em qrcode ficou assim:

qrcodeMeio grande pra ficar discreto no cartão, mas pode ser impresso atrás, ou como marca d’água, ou da forma como a criatividade dos arte-finalistas decidir. Uma coisa chata com QRCodes é que eles não aceitam o redimensionamento da imagem muito bem – como cada pixel representa mais ou menos um bit, reduzir ou aumentar pixels durante o processo de redimensionamento pode ser desastroso.

Como o tamanho do QRCode depende da quantidade de informação que ele contém, podemos ter um QRCode mais discreto se codificarmos um endereço para o vcard, como por exemplo uma URL de onde ele possa ser baixado. O meu ficou assim:

https://sites.google.com/site/ricardotqueiroz/arquivos/ricardotq1.vcf

O que é bem mais elegante pra imprimir em um cartão de visitas. Outra vantagem de se usar um endereço para o vcard é que você pode atualizar as suas informações no vcard e o link do cartão de visitas vai continuar valendo. Para quem manda fazer os próprios cartões profissionais, como consultores ou freelancers isso pode ser uma boa, pois o seu cartão vai continuar atualizado mesmo que mude de empresa ou localidade.

Por útlimo, você pode se cadastrar em um serviço como o kimtag, que reúne seus contatos e links para os seus perfis em redes sociais em um único lugar, e ainda fornece um QRCode curto para o seu perfil.

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Primeiro dia

Ironia é uma palavra definida por inúmeros exemplos. Um deles é começar a trabalhar com .NET no mesmo dia que recebi o certificado da LPI pelo correio.

É um certificado bem bonito, por sinal. Vem com um emblema metalizado e um cartãozinho.

E o cartãozinho vem com uma mensagem atrás, que você pode, entre outros fins mais sérios, mostrar pros seus amigos enquanto bebem cerveja ou postar no seu blog.

Voltando ao .NET, já passei da idade de ter preconceito contra esta ou aquela linguagem ou plataforma. Deixo  para os mais novos e fervorosos terem as suas rusgas sem sentido.

Hoje encaro da seguinte maneira: horizontes mais amplos.

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Projeto de férias: Tela mosquiteira

As janelas de casa estavam ficando fechadas à noite por causa dos mosquitos, o que é quase irracional considerando-se o calor que faz por aqui.

Dificuldade: Fácil
Tempo: 4h
Material: Cantoneiras de alumínio 1/2”, tela mosquiteira, rebites, cola quente ou cola de contato.
Ferramentas: ver texto.

A primeira solução foi uma tela mosquiteira pronta para instalar, que compramos na Leroy Merlin.

Funciona como quebra-galho, mas é feia que dói, atrapalha na hora de abrir e fechar a janela, e alguns bichos mais determinados ainda acabam passando pelo espaço entre o velcro e a parede.

Sem falar que o adesivo do velcro também marca a parede de forma irre versível. Fui tirar um deles e saiu junto a tinta e a massa corrida. O ideal seria colocar a tela por fora, com uma armação de alumínio. Mas esse tipo de tela está absurdamente caro aqui na cidade, uma das lojas orçou em R$ 1000,00 para colocar em todas as 4 janelas da minha casa, o que eu não gastaria com nem se tivesse sobrando.

Olhando um modelo pronto achei que não seria difícil fazer – é um quadro com uma tela  esticada. A tela eu já tinha, pregada na parede com velcro, e a armação poderia ser feita facilmente com cantoneiras de alumínio de 1/2”.

As ferramentas que usei estão na foto ao lado, com exceção da pistola de cola quente, que peguei depois pra colar a tela na armação. Uma serra de arco, óculos de proteção (furar alumínio faz voar cavacos), uma lima, martelo, rebitador manual, rebites de alumínio, broca, furadeira, trena. E um preguinho de aço, pra marcar os furos.

Ferramentas prontas, partindo para a execução. A primeira medida foi medir o vão onde instalei a tela. Por sorte a minha janela tem a parte de correr por dentro, de modo que os vidros fixos, do lado de fora, têm um vão entre eles. O vão mede 90cm x 1m, é nessas medidas que as cantoneiras de alumínio foram serradas.

Com os quatro pedaços de cantoneira prontos, o próximo passo foi colocá-los no lugar, pra fazer os ajustes e medir onde seriam furados. Um dos segmentos ficou grande demais, então tive que ajustar com a lima, que também serve pra remover as rebarbas do corte do alumínio. Com os quatro segmentos no lugar, pode-se medir para furar. Com um preguinho de aço, fiz marcas nos dois segmentos onde as cantoneiras se cruzam. Depois fiz um “X” (marcado em vermelho na foto) usando as pontas da cantoneira como referência. O meio do “X” marca o local do furo. Após furar a cantoneira horizontal, recoloquei no lugar pra marcar onde a cantoneira vertical deveria ser furada. Marquei também em qual canto da janela estava cada ponta do quadro – como a janela tem pequenas diferenças entre os lados, o quadro tem que ser ajustado de acordo e entrar na posição certa.

Com as quatro cantoneiras furadas, ajustadas e sem rebarbas, é só rebitar os furos, e colar a tela por dentro do quadro com cola quente. É importante cortar a tela um pouco maior que o quadro (uns 3~4 cm de cada lado), para poder dobrar um pedaço na parte de dentro, o que ajuda a manter a tela fixa no lugar.

A fixação eu fiz com pequenos furos no quadro da janela (dois de cada lado) e parafusos de rosca soberba. Não fure na parte de baixo, pois isso permite a entrada de água no quadro, que o enferruja por dentro.

O resultado final está aí, bem mais prático, de boa aparência e fechado do que a solução anterior, por um custo bem razoável.

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Como acabei pilotando um Toyota Bandeirante

Eram meados de 2004, e eu precisava trocar de carro. Eu tinha um Corsa Hatch prata muito bonito, já na casa dos 90 mil km.

Tenho para mim que quando um carro desses chega perto dos 100 mil km, você precisa decidir entre vendê-lo ou ficar com ele e se preparar para começar a trocar peças mais caras. Raramente um carro de passeio comum passa dos 150 mil km sem ter feito ao menos uma troca de pneus, amortecedores, filtros, pastilhas e lonas de freios, revisão da embreagem, limpeza da injeção, revisão do câmbio, etc. Eu não tinha tanto apego ao carro para querer passar por isso com ele, portanto havia decidido vendê-lo.

O Corsa era moderno e confortável, viajou comigo por bastante tempo sem incidentes maiores que um pneu furado, mas sempre faltou alguma coisa. O fato dele ser muito “direitinho” me deixava incomodado em algumas situações, como pegar estradas de terra ou buracos (2004 foi um ano particularmente chuvoso), me deixava mais preocupado em não estragar o carro do que com o motivo pelo qual o tirei da garagem.

Também estava ficando cansado daquela quase neura de comprar um carro já pensando em quanto iria valer quando o vendesse. É fato que comprando um carro zero você sempre perde dinheiro na hora de vender, cada risquinho, barulhinho ou amassadinho (o pavimento daqui solta pedaços o tempo todo) representando um motivo a mais para que o comprador desvalorize o carro que você está vendendo, mesmo que nunca tenha sofrido um acidente mais sério e esteja com a mecânica perfeita.

Foi quando comecei a considerar a utilização de um modelo diferente de consumo de automóveis. Eu queria um carro pra ficar comigo por mais de 5 anos, que pudesse comprar sem projetar sua desvalorização futura em função de avarias, idade e quilometragem. O gosto pela aventura também falou bem alto nessa hora; desde criança participava das expedições em 4×4 do meu pai em seu jipe Willys. Decidi estar na hora de começar as minhas próprias.

Como iria ser meu carro principal, na época considerei importantes o preço (cada um sabe onde o calo aperta), o consumo e a freqüência e custos de manutenção (pra não acabar dirigindo apenas de uma oficina para outra). Seria difícil encontrar um 4×4 a gasolina com um consumo próximo ao do Corsa, por isso dei preferência a motorização Diesel. Para esses critérios, o Defender era muito caro e de manutenção cara, o Troller era só muito caro, e o JPX conhecido por problemas com aquecimento. Sobraram para a final dois carros da Toyota: Hilux (até 93) e Bandeirante (vários). Apostei no Bandeirante por ter a manutenção mais barata, e por achar que para veículos dessa idade, seria mais fácil encontrar um Bandeirante em melhor estado do que uma Hilux.

No meu orçamento cabia um Toyota Bandeirante jipe curto, cabine de aço, que vi anunciado em Campinas. Depois de muita conversa e algum rolo com o vendedor, troquei praticamente “pau-a-pau” com o Corsa e saí pilotando até a casa dos meus pais, do outro lado da cidade.

A primeira impressão é no mínimo diferente. Grande, desajeitado, duro, barulhento. Folga no volante. De fato não é pra qualquer um. Se você compra carros por causa do design, conforto, acabamento interno e velocidade final, esqueça. Esqueça também se você é fortemente influenciável por opiniões de terceiros, pra quem não adianta tentar explicar a sua escolha – tudo que vai ouvir deles são comentários na linha “casou com o carro” ou “até quantos por hora chega”.

Mas se você é do tipo que não liga muito pra essas coisas, provavelmente vai gostar. A sensação de acelerar um bicho desses e ter 2 toneladas de aço sob seu controle é incrível, assim como a visão privilegiada das redondezas que a posição de dirigir possibilita. Dificilmente vai ficar na mão, e vai ser capaz de chegar a locais que não imaginava ser

possível sobre quatro rodas.

 

Eu sabia que tinha nas mãos um dos melhores e mais resistentes veículos para trilhas já feitos no Brasil. Mas não imaginava que iria acabar gostando tanto dele. Grande, alto, fama de indestrutível (para meu desespero, eu viria a comprovar isso mais tarde), cara de mau, e movido a Diesel – era perfeito para as esburacadas estradas brasileiras e em especial, para o trânsito insano de Campinas.

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Atípico

2010 está sendo um ano atípico em vários sentidos. Muitos ciclos estão se fechando, coisas se transformando. Bom, isso tudo pra dizer que espero poder atualizar com mais freqüência daqui em diante

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Mosquitos

Hoje é o primeiro dia de volta ao trabalho após umas  longas, merecidas e produtivas férias.

Mais ou menos no meio do caminho entre o ponto de ônibus e minha casa avistei a primeira nuvem de mosquitos. Nada novo, já tinha visto antes essas estranhas formações dançando em padrões inconstantes. O que assustou foi a quantidade de nuvens que vi depois.

A cada passo era uma nuvem nova. Olhei pra trás algumas vezes para me certificar que não era a mesma nuvem seguindo uma refeição relutante, mas as nuvens ficavam no lugar, apesar do vento.

Uns 600 metros de mosquitos depois, fechei apressado a porta da frente e saí procurando inseticida, que tinha acabado. Estavam sobre o carro, e sobre a tela mosquiteira que instalei recentemente na janela da sala.

Após uma rápida busca na Internet, a constatação: as nuvens são do mosquito macho, que se alimenta de néctar e outras fontes de açucar.

A fêmea entra nessas nuvens, é devidamente fertilizada e segue a procura de sangue, necessário para criar os ovos. No caso, as pessoas vivendo em casas próximas umas das outras são uma fonte preciosa da proteína que eles precisam.

Após a picada, os ovos levam dois as três dias para amadurecerem, e então a fêmea os deposita na água. O macho do mosquito pode viver até um ano enquanto a fêmea vive alguns meses (provavelmente devido a seus hábitos reprodutivos arriscados).

O resumo da história é que vamos ter que nos preparar para um verão com muitos mosquitos. Hora de instalar mais telas, e investir em citronela e outros repelentes.

Por via das dúvidas, comprei uma raquete de dar choque. Daquelas de camelô, tem baterias recarregáveis, plug pra tomada e led indicador. Acho que foram R$ 10 bem investidos.

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Travei

Não sei porque, mas a primeira coisa que me passou pela cabeça naquele momento, ao invés da lembrança da seqüência de movimentos que eu deveria fazer, foi uma frase do tipo “faça alguma coisa nem que seja a errada”.

Então eu fiz, e o Paulo a princípio não se mexeu, provavelmente porque não concordava que a direção na qual eu estava começando girar fosse compatível com a técnica pedida; mas quando percebeu que eu realmente iria fazer algo diferente do que ele imaginava, tratou de “voar” em segurança para a direção onde estava sendo arremessado. Pousou no tatame com um rolamento, suave como de costume.

Pacientemente, o Fabio repetiu o nome da técnica que eu deveria demonstrar.

Pois lá estava eu, parado em posição de guarda, com as duas mãos do Paulo apertando meu braço esquerdo. Então pedi desculpas e fiz o que todo mundo estava mais ou menos esperando: pedi para que o Fabio me demonstrasse a técnica, já que eu havia esquecido.

“Tá vendo, não precisava ficar nervoso, né” disse calmamente, enquanto mostrava o que eu estava fazendo errado. Não é exatamente nervoso, pensei, foi uma mistura de “branco” com um pouco de vergonha por não lembrar como se fazia isso justo quando todo mundo está olhando. Após agradecer pela demonstração, fui lá e mostrei qual e como a técnica deveria ser aplicada para aquela situação. Acho que acertei, porque senti os movimentos fluirem legal dessa vez.

É, eu fiquei um pouco tenso, admito, mas realmente precisava passar por aquilo. A sensação foi péssima naquele instante, mas foi uma das melhores coisas que me aconteceram durante o treino.

Primeiro, porque eu sei que preciso passar por muitas situações desse tipo pra quebrar um certo bloqueio que tenho em pedir ajuda (é parte do aprendizado da escola da vida). Segundo, porque não é vergonha nenhuma errar ou não saber algo – e dessa vez a melhor maneira de aprender foi justamente passando por isso.

E também porque nunca mais esqueci o nome daquela técnica🙂

Alguns obstáculos que parecem pequenos nem sempre são totalmente deixados para trás, justamente por serem subestimados em importância devido ao seu tamanho. Agradeço a todos que de uma forma ou de outra me ajudam a transpô-los todos os dias.

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